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Um acontecimento incrível para a astronomia e para o mundo marcou a última quarta-feira (10). Pela primeira vez na história temos uma imagem de um buraco negro, graças ao trabalho de 207 pesquisadores ao redor do mundo e, ao todo, mais de 200 anos de esforço científico.

A NASA apelidou o astro de Powehi, um nome havaiano que significa “bela fonte escura de criação interminável”, mas uma movimentação de fãs de música foi assunto na internet nos últimos dias.

Uma petição foi criada para que o nome do buraco negro seja “alterado” para homenagear Chris Cornell, líder de bandas como Audioslave e o Soundgarden — nesta última, compôs o hit “Black Hole Sun” (sol do buraco negro, em tradução livre) em 1994. O que mais chama atenção, porém, não é exatamente a música cujo tema se encaixa no assunto do momento…

“Superdesconhecido”
A astronomia é um tema bastante recorrente na arte no geral, e na música não seria nada diferente — o Muse que o diga. Portanto, há de se concordar que as coincidências do Soundgarden com este acontecimento são no mínimo curiosas.

Isso porque “Black Hole Sun”, o maior hit do grupo, chegou através de um disco chamado Superunknown (1994). O álbum é um marco não só na carreira da banda, mas também no grunge dos anos 90, e é até hoje celebrado como um dos melhores de sua era. A cereja do bolo, entretanto, vem na arte da capa.

Superunknown traz uma foto completamente distorcida dos membros da banda, que foi apelidada de “O Elfo Gritando” e tirada por Kevin Westenberg, renomado fotógrafo. A foto dá destaque a Cornell e tem um tom de laranja bastante semelhante ao do buraco negro recentemente “descoberto”. Abaixo dela, há uma floresta em preto e branco, e de cabeça para baixo.

Sobre a arte, o vocalista disse em entrevista da época:

Superunknown é sobre o nascimento, de certa forma… Nascer ou até mesmo morrer — ser jogado em algo que você não sabe nada sobre. O mais difícil é encontrar uma imagem visual para colocar um título assim. A primeira coisa que pensamos foi uma floresta em cinza ou preto. O Soundgarden sempre foi associado com imagens de flores e cores exuberantes, e isso foi o oposto. Ainda parecia orgânico, mas estava muito escuro e frio… eu gostava daquelas histórias quando criança, onde as florestas estavam cheias de coisas más e assustadoras, ao invés de serem jardins felizes nos quais você vai acampar.

A explicação faz total sentido quando paramos para pensar no significado que Superunknown carrega até hoje.

Não que o Soundgarden tenha sido algum dia uma banda “leve”, mas o disco de 94 mostrou um amadurecimento e peso que apenas uma banda em seus 10 anos de carreira, com outros três discos na bagagem e muita história para contar poderia ter.

As letras deixam claro os calos acumulados por Cornell na carreira, que àquela altura já havia enfrentado a perda de amigos próximos — como Andy Wood, vocalista do Mother Love Bone e colega de quarto de Cornell — e seus próprios demônios. Entre os temas estão medo, perda, vingança, e fãs ainda interpretam algumas músicas como se estivessem falando de suicídio, depressão e abuso de substâncias.

Se a intenção era realmente essa, o saudoso Cornell não revelou. Mas de volta à capa…

20 anos do desconhecido
Em 2014, Superunknown ganhou um baita relançamento comemorando os 20 anos do disco. E é aí que a coisa fica melhor ainda!

Além de diversas demos inéditas e uma edição com 5 discos, a capa do álbum foi retrabalhada por Josh Graham, artista plástico americano. O cara decidiu colocar o que parece ser, literalmente, um buraco negro em volta da imagem dos membros da banda. Inspirado, ao que tudo indica, pelo hit que marcou a história do grupo.

Nesta edição, o laranja da arte se assemelha ainda mais à imagem recentemente captada pela NASA, quase como se estivesse prevendo o que viria poucos anos depois.

Pura coincidência? Bem, é claro. Mas não deixa de ser bastante interessante!

O Elfo Gritando
Em 2017, poucos dias após a trágica morte de Chris Cornell, o fotógrafo Kevin Westenberg decidiu revisitar sua experiência com o Soundgarden e contar a história por trás da capa do disco.

Além disso, Westenberg ainda compartilhou pela primeira vez a foto original que deu origem à arte que hoje conhecemos.

Leia seu relato abaixo

Tenho a sorte de, durante a minha carreira, ter trabalhado com muitos dos meus heróis na direção de arte. Há muitas discussões sobre filosofia e teoria visual sobre o que faz com que algo funcione e por que o oposto é [sempre] verdadeiro. De certa forma, essa capa foi apenas um acidente glorioso. Não havia nenhum plano real no dia de fotografar a capa do Superunknown. Na maioria das vezes com cada músico, não importa com qual estilo de música eu estivesse trabalhando ao redor do mundo, raramente haveria um plano. Durante os anos de trabalho, onde haviam orçamentos loucos e uma paciência infinita por parte de todos os envolvidos, um nível de confiança foi conquistado. Olhando para trás, suponho que meu nível de confiança nesse mercado era bem alto a esta altura. Até o ponto onde eu pensaria em qual atmosfera criar e na habilidade técnica necessária para alcançar essa visão, e então nós apenas a seguiríamos com as bênçãos dos homens com dinheiro. O nível de consulta e planejamento também foi mínimo, já que você nunca quer deixá-los ver você suar. Tudo dependia do resultado final e, como a minha confiança durante todos esses anos iniciais nunca foi um problema, nunca houve um momento em que tirei o pé do acelerador. Eu cheguei ao ponto de exaustão várias vezes. Se não houvesse paciência antes de uma grande filmagem como esta com o Soundgarden, então você estaria morto. Esqueça. Eu sabia que as apostas eram altas para essa banda que eu amava tanto. A necessidade absoluta de entregar estava lá por toda parte. Além disso, como alguém que nasceu em Seattle, mas que já havia imigrado para o Reino Unido, era ainda mais importante. Uma pressão criativa no máximo nunca é ruim. Esta aqui é a foto completa usada para a capa do álbum Superunknown. Enquanto construíamos a ideia, eu nunca esperei que isso, de alguma forma, se igualasse à fantástica gama de ideias musicais criadas no disco. Há sempre um pouco mais de sorte e acaso também. Uma nota: eu sempre fiquei desapontado que Matt [Cameron, baterista] tenha sido cortado da capa na edição. Não foi minha escolha. Além disso, de onde veio o nome ‘Screaming Elf’? Definitivamente não foi minha escolha! Bons tempos.

O já não tão superdesconhecido buraco negro é realmente um grande marco na astronomia, assim como Superunknown foi para a música. Se é justo ou não homenagear Chris Cornell nesta situação, deixamos para você, leitor(a), decidir.

O que sabemos é que, realmente, “ninguém mais canta como você”.

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