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Um dos músicos mais versáteis de sua geração, o ex-Genesis lança ‘At the Edge of the Light’, CD em que flerta com música clássica e ritmos do Oriente Médio

Steve Hackett: do rock progressivo à world music (Veja/VEJA)

O inglês Steve Hackett, de 69 anos, é um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Muito de sua fama se deve ao período no qual integrou o Genesis, um dos bastiões do rock progressivo. Hackett criou técnicas como o “hammering” (aquelas “marteladas” nas cordas da guitarra, que tempos depois seriam eternizadas pelo holandês Eddie Van Halen) e é autor de solos criativos – o de The Musical Box, por exemplo, brinca com o famoso “canto e resposta” da música gospel.

Ele deixou o Genesis em 1977 e, desde então, tem explorado os limites de seu instrumento: flertou com o universo erudito, com a world music e até com o blues. At the Edge of the Light, seu mais recente álbum, lançado no Brasil pela Voice Music (e ainda inédito nas plataformas de streaming), é um resumo das andanças musicais de Hackett nas últimas quatro décadas.

O Genesis se faz presente em duas canções que lembram os arranjos intrincados e as diferentes mudanças de andamento típicos do rock progressivo: Under the Eye of the Sun e Those Golden Wings, com 11 minutos e 20 segundos de duração. Já o Oriente Médio tem sido uma obsessão do guitarrista em tempos recentes. Hackett não apenas se interessa pela sonoridade: é um dos entusiastas da ideia de que a Europa abra seus portões para os refugiados árabes, da mesma maneira que acolheram sua família em outra época (ele é descendente de judeus). Uma preocupação que se torna visível na faixa de abertura, Fallen Walls and Pedestals, cuja sonoridade é decalcada nos ritmos do Oriente Médio, e The Beasts of Our Time, em que ele expressa, na letra, sua preocupação com a ascensão do populismo de extrema-direita no continente europeu.